O assassinato de John Kennedy no Maranhão

Por Paulo Henrique Moraes
Texto originalmente publicado na Revista Bezouro #5

(todas as imagens retiradas do livro Morte na Ulen Company – RECORD, 1983, de José Joffily)

Quando às 17h30min do dia 30 de setembro de 1933, o maranhense José de Ribamar Mendonça disparara quatro tiros do seu revólver OV, calibre 32, contra o norte-americano John Harold Kennedy, mal sabia ele que aquele era o início de uma trajetória marcada por tragédias de uma das famílias mais importantes do século XX. É assim, pelo menos, que reza a lenda pelas bandas de cá.

Certamente, este é um dos crimes mais comentados da história de São Luís; já foi tema de documentário e livro, faz parte do imaginário dos mais velhos da cidade e continua despertando curiosidade nos mais jovens por ser uma história repleta de personagens e tramas que misturam fatos políticos e econômicos pontuais com elementos sociais de cunho quase folclórico. O crime da Ulen, como ficou conhecido, aconteceu nas instalações da Ulen Company, empresa em que trabalhavam os dois personagens principais nele envolvidos: o maranhense como bilheteiro e o norte-americano como contador.

Misto de vingança pessoal, luta por soberania, jogo político internacional, interesses econômicos e disputas jurídicas, a história desse crime vai muito além do fatídico assassinato. E numa cidade sedimentada sob tantos mitos e lendas, o crime da Ulen pode ser usado para reforçar alguns deles. Entretanto, foi mesmo o bilheteiro José de Ribamar Mendonça um autêntico representante da ‘ilha rebelde’? E seria o contador John Harold Kennedy tio do presidente mais famoso dos Estados Unidos?


Na década de 1920, São Luís tinha pouco mais de 50 mil habitantes, e, apesar de capital do estado, sua situação socioeconômica não era das melhores: condição estrutural urbana precária aliada a poucas possibilidades de trabalho. Somado a isso, uma população com alto índice de analfabetismo, comandada por figuras políticas oligárquicas que dominavam o Maranhão. Foi neste cenário que a Ulen Management Company, empresa com origem em Nova York, representante do processo de expansão do capital americano com foco na indústria da energia elétrica, veio parar.

Em 1922, foram estabelecidos os primeiros contatos com o norte-americano Henry Charles Ulen para a instalação da sua empresa na cidade. Magalhães de Almeida, então oficial da Marinha brasileira, e que seria, quatro anos mais tarde, governador do Maranhão, foi o intermediário da negociação que culminou, em 1923, com a assinatura do contrato que garantia à companhia americana, primeiramente, a responsabilidade pela construção de obras referentes aos serviços urbanos, como o abastecimento de água, luz e transporte, e, mais tarde, pela administração desses mesmos serviços em São Luís.

A chegada de uma companhia com a perspectiva de melhora, através dos seus serviços, da condição de vida na capital, ainda mais com o status de ser originária de uma das maiores potências do mundo, a principio, pareceu ser um avanço para a sociedade ludovicense. Só pareceu.

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Com o passar do tempo, a Ulen se mostrou um fardo para as contas do estado e motivo de revolta para a população. Os contratos firmados entre a empresa e o governo estadual eram no mínimo abusivos. Além da completa isenção de impostos e custeamento das despesas administrativas referentes à execução dos seus serviços, a Ulen ainda tinha o privilégio, intermediado pelo governo maranhense, de contar com somas altíssimas de dinheiro advindas de empréstimos muitas vezes conseguidos junto a bancos norte-americanos. E não parava por aí – caso houvesse o rompimento unilateral de contrato, o estado se sujeitaria ao pagamento de multas exorbitantes. Tudo isso em nome de um projeto de progresso, que não houve.

A imprensa, cumprindo seu papel, tomou a frente nas denúncias. Não raro era encontrar nos diários jornalísticos maranhenses textos de repúdio aos acordos firmados entre o governo e a Ulen: “Um atentado à dignidade, à soberania de um povo, que viu a fonte principal da sua riqueza pública vendida criminosamente aos agentes do capital de Wall Street”, diria ‘O Combate’ em 1933, já no auge dos descontentamentos com a situação.

No mesmo passo, preocupada com os péssimos serviços oferecidos pela companhia americana, a população revoltava-se cada vez mais. O aumento frequente de tarifas, o não cumprimento da promessa de melhoria na condição urbana da cidade, o descaso no trato com os funcionários da empresa, enfim, tudo isso amontou-se de forma a tornar a presença da Ulen na cidade no mínimo indesejada. O assassinato do contador da companhia americana, John Harold Kennedy, pelo maranhense José de Ribamar Mendonça, também funcionário da empresa, só que muitos escalões abaixo, foi o ápice da revolta que acometeu a sociedade ludovicense àquela altura. Um ato movido pelo sentimento de vingança, para muitos, tanto pessoal como social. 

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Nos autos da prisão em flagrante, José de Ribamar Mendonça mostrou-se ciente do crime que acabara de cometer: “Matei agora mesmo o bandido que mais me perseguia, mas não estou arrependido”. O que ele não fazia ideia era que seu ato teria desdobramentos que iriam além das consequências jurídicas concernentes ao crime. José de Ribamar, nome do padroeiro do Maranhão, e, por isso, o nome mais comum entre os habitantes desta terra, foi transformado, ainda que de forma espontânea, sem nenhuma predeterminação política, em símbolo de luta social da população de São Luís contra os desmandos da empresa americana, a política econômica dos EUA e a submissão do governo brasileiro na figura dos políticos maranhenses.

O simples bilheteiro de bondes, então com 25 anos, viu seu julgamento ser transformado num campo de batalhas não apenas jurídica, mas também social e política. Os argumentos de defesa forjados pelo hábil advogado Waldemar Brito, um especialista do direito criminalista no Maranhão à época, apelaram para o sentimento de solidariedade social da população ludovicense. Waldemar utilizou a relação caótica da cidade com a Ulen para justificar o crime: “A vingança é reprovada, porém quando excitada por injustiça e insultos é uma das fragilidades mais desculpáveis da natureza”, argumentaria ele aos jurados do primeiro dos três julgamentos pelos quais passaria o maranhense.

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O crime da Ulen teve uma motivação pessoal: a demissão de José de Ribamar quando perto de completar seu décimo ano de serviços prestados à companhia norte-americana, tática utilizada pela Ulen, também com outros funcionários, para fugir das obrigações trabalhistas de então, que garantiam estabilidade ao trabalhador que tivesse dez anos completos de serviços prestados a uma mesma empresa. O norte-americano John Kennedy, contador da Ulen, era o responsável direto por suas demissões; tornou-se o alvo da ira de Mendonça depois de uma discussão nas instalações da administração da companhia, em que se recusou a pagar os últimos meses de trabalho do bilheteiro.

John Harold Kennedy, nascido no estado americano de Massachusetts (assim como seu suposto sobrinho presidente), trabalhou na Ulen Company durante oito anos até o seu assassinato. Veio para São Luís com a comitiva administrativa da companhia. Solteiro, aqui se estabeleceu, tendo participação marcante na vida social da cidade. Apesar de sua seriedade e dureza na direção da Ulen, frequentemente era visto na Praça João Lisboa, local de reunião da boemia da cidade na época. Fez parte do clube ‘Os Lunáticos’, que reunia os jovens boêmios da elite ludovicense; por ocasião de sua morte, algumas homenagens lhes foram prestadas pelo clube: a cadeira nº 6, ocupada por ele, permaneceu vaga até a extinção d’Os Lunáticos em 1941.

O assassinato de Harold Kennedy foi noticiado em alguns dos principais jornais do seu país como o New York Times, e gerou certo desconforto diplomático entre os EUA e o Brasil. A cada absolvição de José de Ribamar, era maior a pressão da embaixada americana para que se realizasse um novo julgamento com resultado diferente. Durante onze anos, foram três os julgamentos pelos quais passou Mendonça – em todos eles, absolvido. Sucessivamente, nove Ministros de Estado e três embaixadores envolveram-se na questão do crime da Ulen, em uma ofensiva político-diplomática americana contra as decisões do governo e justiça brasileira que tinha objetivos complementares: exigir a condenação do maranhense e garantir a total segurança dos contratos firmados e do funcionamento da companhia em São Luís.

Apesar de acusações de erros judiciais no tribunal do júri do Maranhão, que teria tomado sua decisão por influência do clamor social que o crime causou na população de São Luís, e da massiva pressão feita ao Itamaraty pelos representantes do governo americano para que esse clamor não interferisse na atuação da companhia na cidade, José de Ribamar Mendonça não fora condenado em nenhum dos julgamentos, e a Ulen, depois de algumas suspensões contratuais, finalmente deixaria São Luís em 1946.

Como resultado de um esforço de pesquisa elogioso, o pesquisador paraibano José Joffily publicou uma série de documentos (ofícios, telegramas, fotografias e impressos de época) em seu livro “Morte na Ulen Company” (RECORD, 1983), que mostram quase tudo referente à presença da Ulen em São Luís, além de recontar com minúcia a história do crime e seus personagens. Maiores detalhes dos desdobramentos jurídicos e diplomáticos do crime podem ser encontrados, também, no documentário “O crime da Ulen” (2007) dirigido pelo cineasta Murilo Santos, que recria, através de um júri simulado realizado em uma universidade maranhense, a atmosfera dos julgamentos de José Mendonça. Os dois trabalhos, apesar de recontarem com cuidado o que há de lendário e folclórico na história e personagens que envolvem o crime, concentram-se no seu aspecto social e político, como forma de reafirmá-lo.

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Sob a luz implacável da história, não há como negar que, a despeito de qualquer intenção de José de Ribamar ao assassinar John Kennedy, se agira apenas motivado por vingança pessoal, por questão de honra, ou por desespero frente ao futuro incerto sem o emprego que durante anos fora sua única renda, é fato que os limites do crime da Ulen foram alargados, ou mesmo ultrapassados, tornou-se motivo da luta social de uma população que buscava melhoria geral na qualidade de vida em São Luís na época.

Que fique claro, entretanto, que o entendido aqui como luta social foi se gerando de forma espontânea sem contornos políticos pré-determinados ou intencionais, nem poderia ser diferente. O que aconteceu foi que a revolta pessoal de Mendonça contra uma situação específica, a sua demissão da companhia em que trabalhou durante longos dez anos, estendeu-se e transformou-se, através de um processo de solidariedade e identificação com o bilheteiro maranhense, na revolta de uma população contra os problemas causados à cidade por essa mesma companhia. O crime da Ulen foi o clímax dessa dupla revolta.

Quanto ao suposto parentesco do Kennedy assassinado no Maranhão com a família Kennedy que deu aos Estados Unidos figuras do seu alto escalão político, não há qualquer documento oficial conhecido que comprove este fato – o que não significa absolutamente que não exista o parentesco. Há de ser lembrado que, além do sobrenome, tinham em comum a origem no estado americano de Massachusetts.

Em 1933, ano do crime da Ulen, Joseph Patrick Kennedy, o patriarca e iniciador da trajetória de fama de uma das famílias mais importantes do século passado, cada vez mais ascendia socialmente com o aumento de sua fortuna e sua entrada na vida política americana através da diplomacia – seria embaixador no fim da década. Com tanto poder, não é difícil imaginar que, caso houvesse realmente um parentesco próximo entre Joseph e Harold, uma história indesejável envolvendo a família fosse rapidamente jogada para debaixo do tapete, permanecendo quanto tempo fosse necessário.

À época, não havia qualquer interesse em saber se o John assassinado aqui no Maranhão era um Kennedy, afinal a família ainda estava construindo sua celebridade na América, não se sabia a respeito do futuro dos que carregavam esse sobrenome. Dispensou-se atenção maior para o nome John Harold Kennedy somente quando em 1963, assim como ele, o presidente americano John Kennedy, o seu homônimo famoso e suposto sobrinho, fora brutalmente assassinado. É partir daí que a história do crime da Ulen ganha esse contorno de lenda e mistério em São Luís, baseado nas coincidências de suas mortes e, especialmente, no não comprovado parentesco entre os dois.

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De Teresina a São Luís (e versa-vice)

Velttenz

Fim de semana passado, fui à Tersina com a Velttenz tocar no lançamento do cd solo de um dos amigos da banda Trinco. Foi bem massa começar o ano tocando fora da nossa cidade, deu pra rever os amigos todos de lá, e deu pra aproveitar bem a vigem. Foi bacana ver o ‘susto’ que o pessoal que ficou pra ver nosso show levou com o som cheio de guitarra que a gente faz. O Hugo, esse amigo cujo disco foi lançado, faz um som mais ‘tranquilo’, mais ‘nova mpb’ com pitadas de arranjos de jazz e música regional à la cena recifense, daí o pessoal foi ‘preparado’ pra este tipo de som, talvez até por isso ele tenha nos chamado, pra fazer o contraste. E foi massa. O show foi dele massa. O disco, Trincado, dá pra ouvir aqui. Enfim…

O mote desse post é o show, mas principalmente a viagem até Teresina, que faço pela segunda vez em menos de um ano. Sei lá, desta vez, na volta, depois de quase 15 horas de viagem (ida e volta) e passando por um monte de lugar do interior, do interior mesmo, me bateu um negócio. Aí lembrei do João do Vale, que tem essa música que fala sobre todos esses lugares, de como ele e tantos outros penaram pra fazer esse e outros trajetos, e de como deve ter sido duro, mas ao mesmo tempo era a vida possível pra eles, e mesmo assim ainda existia felicidade e alegria autênticas, etc.

João do Vale é  um dos caras que eu mais admiro na música, analfabeto e sem noção musical alguma, mas com espírito, com tesão e vontade pra coisa. Não sabia escrever, tocar ou cantar, mas fez pelo Maranhão o que muita gente letrada nunca vai fazer: deu uma identidade, uma representação do ser maranhense, que não é, definitivamente, o nordestino imortalizado por Gonzaga, é outra coisa, menos seca, ainda que ensolarada. O Maranhão tem isso: é Norte? é Nordeste? Que diabos nós somos? O João do Vale dá umas boas pistas nas suas canções do que talvez sejamos em essência.

‘De Teresina à São Luís’, canção do João, cantada por Gonzaga. Um clássico eterno pras bandas de cá.

2012

Vamos lá, é tempo de rememorar as coisas (mais importantes) que me aconteceram, ou coisas que aconteceram independentes de mim, mas que me marcaram de alguma maneira, no ano que já foi.

Pessoalmente, 2012 foi um ano de passos largos dados: carro, casa e quase todas as responsabilidades da vida adulta que interessam (DIÑERO). Definitivamente, adulto! Ao mesmo tempo, e muito até por decorrência dessas responsabilidades todas, fui alguém mais centrado, menos festa, menos amigos ocasionais, menos situações aventureiras/desnecessárias pra me sentir, digamos, vivo. A dinâmica tornou-se outra, mais interior, mais do que já era até, pra quem me conhece isso é bem difícil de imaginar, mas foi assim, juro. Perspectiva. Além do: cada coisa tem (teve) seu tempo. E noção de que abdicar de uma ou outra situação, de um ou outro amigo (os que importam ainda estão por aqui), de uma ou outra alegria/decepção não vai matar ninguém (eu).

Isso foi o mais importante, e daí tudo decorreu.

Cartaz bonitão que fizeram da minha banda pro show da Feira da Música de Fortazleza

Cartaz bonitão que fizeram da minha banda pro show da Feira da Música de Fortaleza

Quanto às bandas, ainda estão por aqui. Novamente me foram motivos de felicidades e tristezas, de empolgação e desânimo – e não é assim com quase tudo o que vivemos?! Conheci mais dois estados brasileiros tocando. No Piauí foi legal porém foi meio embuchado, sabe, da nossa parte, digo. No Ceará foi melhor,  uma experiência fundamental, principalmente pra quem (eu) sabe que esse negócio de ter banda, apesar do comprometimento, é algo menor se comparado ao resto da vida. Eu gosto de tocar, gravar, compor (especialmente), conhecer gente diferente de lugares diversos, sons legais, e a maioria das coisas que vem agregada ao lance do ‘ter banda’, até mesmo as coisas ruins, enfim, eu gosto, mas gosto muito mais de outras coisas que não estão relacionadas em nada com esse mundo. Por isso, só fui ativo com minhas bandas no primeiro semestre: terminei de gravar com uma, comecei a gravar com outra, e fiz uma ótima apresentação com a terceira. Foi bem massa! No segundo semestre, apesar de Fortaleza, dei uma acalmada, porque foi preciso, financeiramente e psicologicamente – administrar bandas (em ambos os aspectos), novamente, está longe de ser prioridade na minha vida, e quando para de ser divertido, aí mesmo que se deve repensar o negócio todo. É bom saber, pelo menos, que, como quase sempre, foi tudo conquista minha, às vezes, até somente minha – não terei crise de arrependimentos daqui a alguns anos, é meio que um alívio perceber isso. Em 2013 estarei de volta, pra pelo menos fazer um disco que me orgulhe de ter feito.

Uma novidade boa é que entrei pra turma esperta de redatores do Rock’n’Beats, site sobre música indie/independente nacional e internacional que eu já acompanhava com frequência desde 2010. É legal estar do outro lado, é mais confortável, não tenho como dizer o contrário. Enfim, sempre gostei de escrever, sobre música ainda mais, é um exercício ótimo estar lá, menos de seis meses e já aprendi muito, além de me ter aproximado ainda mais da música brasileira feita hoje em dia (sou um dos responsáveis pela editoria nacional do site).

No fim do ano passado até começo de 2012 tive outra experiência de aprendizado com esse negócio da escrita/trabalho, fui criador e responsável por uma coluna sobre música no ‘caderno jovem’ do maior jornal impresso daqui do mará. O lance do prazo e de ter que escrever sobre um assunto determinado com tamanho e espaço de texto determinado me fez muito bem. Aprendi muito, apesar de ter durado pouco – alguns meses depois de eu ter entrado, o editor que havia me convidado pra escrever no caderno, o querido Anderson Corrêa, mudou de função no impresso e a nova editora teve que montar seu time novo.

Sei lá, estive pensando, se acontecer de eu continuar fazendo trabalhos com minha escrita não vou me opor, pelo contrário, muito me agrada a ideia. Não tenho formação acadêmica na aérea de comunicação, mas estudo sobre não me falta.

Aliás, falando nisso, terminei a especialização em História Cultural lá na estadual, mais um título acadêmico pro currículo, e mais uma realização pessoal. Foi apertado, mas consegui. Eu até pensei em desistir uma ou outra hora, por causa do tema que eu estava estudando até, que já me tinha saturado a mente, porém no final o negócio do prazo, do aperto, da cobrança pessoal e da escrita me fez engrenar – outro dia disponibilizo as minhas monografias (pós e graduação por aqui). Agora é mestrado, cujo tema me foi apresentado em forma de cadeira no curso de especialização, vou mudar de área, quero me sentir menos analista de cultura e mais historiador, eu ainda explico isso em outro post.

Pronto, as conquistas foram essas, e, parando pra pensar e escrever sobre, bem, 2012, foi um ano de muitas conquistas pessoais. Ainda bem!

Falemos do resto, agora.

Primeiro, vi o Nada Surf em Belém numa viagem necessária no começo do ano com a minha garota e uma amiga. Belo show, aliás. Já tinha ido a Belém em 2011, fui tocar e, por isso, não tive oportunidade de conhecer a cidade. Gostei, apesar do tacacá que não me desceu bem. Reencontrei os amigos que fiz na primeira viagem até lá. Foi massa!


Continuando no quesito música, fizemos (uns amigos e eu) o Grito Rock São Luís e recebemos a galera da Trinco do Piauí, uma bandaça que fez um show memorável aqui na cidade e se tornaram amigos pra vida toda. Nesse mesmo festival, tivemos o primeiro show da Souvenir, outra bandaça, só que daqui da ilha, de uns amigos queridos, tudo gente boa. Ainda fizemos o show da Camarones Orquestra Guitarrística, que foi simplesmente sensacional, um dos melhores shows que vi em São Luís esse ano, só ficou atrás da apresentação da Tulipa Ruiz, que matou a pau lá no Arthur Azevedo.

Na minha vitrola virtual, duas bandas se sobressaíram: Band of Horses, que só conheci pelo show deles no Lollapalooza, e que, mesmo pela tv, foi acachapante – eles lançaram um disco esse ano, bem 70, bem pop, melodias boas e fáceis, mas com bem menos força se comparado aos dois primeiros da banda, que são duas obras primas; sim, foi a banda que mais escutei no ano – e a outra foi Grizzly Bear, que já tinha chegado no topo com o álbum anterior e continuou lá com Shields lançado esse ano, o meu preferido de 2012, discão!

Ainda na música, gostei do Abraçaço do Caê; do disco raríssimo do Siba; da obra prima do Jair Naves, cujo primeiro single, Pronto para morrer (o poder de uma mentira dita mil vezes), hipnotiza e ao mesmo tempo desestabiliza qualquer pessoa que tenha um mínimo de sensibilidade, tamanha a violência da canção; do metal blues setentão do Graveyard, que continua na sua sina de lançar ótimos álbuns; da estreia do Metz que trouxe aquele som cruzão, gritado, distorcido e alto até dizer chega, do tipo Nirvana pré-Nevermind, pras cabeças novamente; e dos guris da Cloud Nothings, que além de um ótimo disco, com um conceito definido e bastante coerente, fizeram a melhor música do ano pra mim: Wasted Days.

A nota triste fica por conta da morte de uns caras que admirava demais, na escrita e na música. O Ivan Lessa e o Adam Yauch, principalmente.

Alguns outros destaques pra mim foram: Breaking Bad (que série bem escrita/feita/dirigida/produzida/atuada!) – assisti tudo de uma vez, ansioso pelos capítulos finais. A quinta, e melhor, temporada de Mad Men, que só se supera a cada ano (a melhor peça dramática que tenho notícia desde há muito, incluindo aí livros, cinema, tv, etc). Girls e Newsroom também bateram bonito por aqui. Não vi muitos filmes, então… fu!

No esporte a coisa foi feia, prefiro nem comentar. Os times que torço ou tenho simpatia, todos, sem exceção, se deram mal ou muito mal. Neste quesito, 2012 só serviu pra eu confirmar minha paixão pelos esportes americanos, NFL e NBA, especialmente, que só tende a crescer desde 2010.

Ah, quase ia esquecendo: MEU PRIMEIRO AFILHADO NASCEU. Lionel, filho do meu irmão escolhido, Bruno Luís, e sua senhora Patrícia.

Foi isso, apesar de não ter sido só isso. Ano que vem tem mais!

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