My uptight life

Essa é trilha sonora da transformação pessoal pela qual tenho passado nos últimos 2 anos. Meu mantra favorito.

The morning sun opens up my eyes
What I see is the same world I know you’re seeing
My dreams are real until I realise
Realising’s a slow fade from thought to being
The waking world is full of cynics’ sighs
Cynicism’s a box I don’t want to be in
I’ll stay in bed until I stabilize

I try to write this song
To move my life along
I know what I dream of
I’ll save my life for love

Hidden meanings don’t need to hide
When I hide from the world you’re the one who’ll find me
They don’t need screening from the world outside
If the truth’s overdue I know you’ll remind me
If the truth police are sniffing out a lie
I’ve done nothing in life I can’t put behind me
I’ll use my life as an alibi

Meaning is something I got from you
Whenever I lost the plot you knew
What is it I haven’t got
When I’ve got you

Meaning is something I got from you
Whenever I lost the plot you knew
What is it I haven’t got
When I’ve got you

All my life I felt so uptight
Now it’s all right

Resumão

Mudei. Fiquei mais chato. Deixei pra trás metade da minha vida. Saí de todas as bandas em que estava. Larguei (academicamente) a história. Não passei na seleção do mestrado na UFMA, cheguei até a etapa final, mas fui um desastre na entrevista. Fui bem no Enem e entrei para Engenharia Civil no IFMA, estou cursando e gostando que só. Até agora tudo é cálculo, nada impossível de aprender, mas pra mim, que saiu do ensino médio há 12 anos e passou 10 desses enfiado em humanas até o pescoço, não tá sendo moleza. Tô prestes a mudar de endereço novamente, vou pra uma casa maior (com financiamento também maior – vida de adulto, amigo!). Passei no concurso do Banco do Brasil, não tenho vontade nenhuma em trabalhar com atendimento, mas esse pode ser o primeiro passo pra começar a trabalhar com o que eu realmente quero: engenharia financeira e investimentos. Tenho dado menos atenção a coisas que dava muita atenção – vou te falar que isso me deixou levinho levinho. De outra forma, fiquei mais comprometido com coisas que antes eu achava só besteira – fiquei mais sério em certo ponto. Para alguns amigos, hoje pareço tonto; para outros, virei pro caminho certo. “Onde tu quer chegar com isso?”, foi o que perguntou o grandíssimo Denis Carlos, de boa, tentando entender o que diabos eu tô querendo. Não tô apto a respondê-lo exatamente agora, mas já já eu darei essa resposta. Hoje, só sei o que não quero mais, e tô fazendo uma força danada pra me afastar de tudo isso. Em resumo: mudei.

X

Um questionamento tem me atormentado a cabeça nesse ano, de maneira como nunca antes. (Aliás, são dois, mas, como um é extensão do outro, prefiro pensá-los como uno). Que tipo de pessoa eu sou e que tipo de pessoa eu quero ser?

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Nos últimos meses, a partir do segundo semestre, especialmente, me propus um tipo de avaliação do estado atual da minha vida, e das relações que estabeleço com certas pessoas, mais próximas ou não.

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Acontecimentos traumáticos aceleraram o processo (no mais recente um dos meus tios preferidos levou um tiro no pescoço na rua de casa e quase ficou sem movimentos pro resto da vida, na verdade ele ainda está se recuperando nesse exato momento, então é melhor aguardar pra não comemorar o que não se sabe).

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Daí percebi que o mundo virtual me sugou completamente o estímulo (digo virtual não apenas o internetê, como também uma vida que se acha mas não é ou não vai ser).

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O fato é que pus diante de mim esse questionamento duplo e, através de muitas ponderações, tenho chegado a um ponto que une e, quem sabe, pode resolver os dois pontos da questão. Espero ter a sapiência necessária para fazer isso sem grande prejuízo emocional (ou de qualquer outro tipo) para mim e para os meus.

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Só pra deixar claro, isso não tem nada a ver com espiritualidade religiosa. O meu voltar pra dentro é mais palpável, não menos profundo apesar de mais estreito.

Reafirmo meu agnosticismo enquanto entender que fé não é uma variável fundamental na minha existência. Eu tenho preguiça de deus. (Olha, eu tenho a exata noção de que posso não sair impune desta afirmação, ok?).

As sete faces de Dario

Ideia para um segundo livro que também nunca escreverei

O nome dele é Dario. Ele é o personagem principal, mas só aparece na trama como coadjuvante, como um asterisco nas histórias que serão contadas. E que serão sete no total, uma diferente da outra, contadas de sete maneiras diferentes, por sete personagens/narradores diferentes, que participaram ou não da vida de Dario. Sim, ele é morto (suicida, talvez). Onipresente, porém discreto, quase inexistente. Em algum momento, uma história irá se relacionar com a próxima a ser contada (ou com a anterior), sem que os personagens ou narradores se relacionem, contudo. Apenas Dario estará relacionado com todos. E sua história será contada somente como um adendo às outras histórias. O nome do livro: As sete faces de Dario.

ps: já convenci a pequena que nosso primeiro rebento macho chamará Dario.

E lá se foi 2013…

2013 foi o ano mais legal e o mais corrido dos meus últimos anos. O fato é que desde algum tempo a coisa só tem melhorado, ano após ano. Espero que 2014 seja uma continuidade disso. Vou fazer mais pra frente um textinho retrospectiva sobre tudo o que rolou, de bom (muita coisa), de ruim (nem tanto assim), sobre o que poderia ter rolado, o que vi, escutei, li, etc, no ano findo;  e sobre o que pretendo ‘rolar’ a partir de amanhã. Até lá, amigos. E feliz ano da baderna no Brasil!

IV

Antes do vinho (que ainda é apenas curiosidade), a comida (uma paixão, de fato) me pegou de jeito em 2013. Tanto que acho que o meu próximo “desafio” terá a ver com essas duas coisas. Tanto que tô pensando seriamente em fazer cursos de culinária (Sesc, Senac, sei lá o quê da vida) ou gastronomia (essas lojas de gente de nariz empinado da vida) aqui em São Luís. (Custa nada ver de qual é, rs). Tanto que pensei um tema a ser desenvolvido num projeto de mestrado que relaciona história e gastronomia, ou melhor, hábitos alimentares como símbolo de diferenciação social, valoração cultural e relações de poder, essas porras todas de historiador. Encontrei, inclusive, muitos trabalhos de doutorado, mestrado e artigos nesta linha de pesquisa neste site da UFPR. A coisa tá séria ó.

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Falando em mestrado, eu tô há uns dois anos enrolando nesse negócio. Tentei a sorte na primeira turma do mestrado em história da UFMA, tinha passado já em duas etapas, mas na hora da prova, para a qual estudei dois meses direto e tinha certeza que ficaria entre as 20 ou 15 vagas – não lembro -, cheguei atrasado e fodi tudo. Eu me senti absolutamente uma criança nesse dia. Porra, atrasar!!! Tamanho macho desse. Mas aí aproveitei o gancho e fiz uma especialização em História Cultural lá na UEMA – literatura e política, Bandeira Tribuzi, meu tema -, que durou 2 anos, de 2011 a 2012.

Desde então não tentei mais na UFMA; mas aí agora a UEMA abriu edital para a primeira turma deles. Pela experiência com os dois departamentos, prefiro mil vezes o da estadual. Mais organizado e o ensino é melhor. Tenho um projeto pronto, nada a ver com o que estudei na especialização, é sobre o Atlântico Negro, comércio direto de escravos entre Maranhão e reinos africanos, etc. Tá pronto, e eu sei que dá liga. Mas aí fiquei com essa dúvida cruel: me inscrevo com esse projeto ou espero mais um ano e desenvolvo melhor o lance lá da história dos hábitos alimentares no Maranhão? Que seria bem massa, pois, pelo que eu saiba, não tem ninguém pesquisando nada parecido aqui. Isso é bom (ineditismo do estudo) e ruim (pesquisa maior pois sem muitas referências) ao mesmo tempo. Tenho que decidir rápido (as inscrições terminam no final de janeiro), mas também tenho que me demorar um tanto mais sobre esta dúvida.

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Falando em África e escravidão, tô lendo o livro de um negro que nasceu livre nos Estados Unidos dos oitocentos, mas que por causa de uma reviravolta criminosa foi raptado e vendido como escravo no sul do país (pelo que tenho estudado, uma prática comum na América no começo do século XIX), e lá permaneceu por 12 anos até reencontrar a liberdade e sua família. A história, real, é bem maior e com muito mais tramas do que esse breve resumo. O livro, Twelve Years a Slave, foi escrito, editado e publicado em 1853 e virou best seller, tendo uma segunda edição em 1869; é baseado no relato de Solomon Nothup sobre esses doze terríveis anos de sua história, e ganhou vida nas mãos de David Wilson, um escritor local. Virou filme agora em 2013, cotado até para as principais categorias do Oscar. Ainda não o vi, mas quero muito.

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Falando em leitura, vale muito ler este artigo do Jonathan Franzen, publicado na Piauí n°86, que versa sobre todas as nossas superficialidades neste mundo comandado pela “máquina infernal” chamada internet; analisa a maneira falha com que nos comunicamos nos dias atuais, desde lá de cima, com o desmantelamento quase total da grande mídia, até o mundinho raso e mesquinho das redes sociais; e ainda reflete sobre a atuação do escritor nesse fuzuê todo através de um paralelo entre sua vida e atividade literária com a do seu guru austríaco, Karl Kraus, crítico feroz e venerado que exerceu grande influência na intelectualidade europeia na virada do século XIX para o XX. Um trecho:

 “Mas qual o destino de quem se torna escritor justamente porque a fofoca, a tuitagem e a cascata lhe parecem formas intoleravelmente superficiais de troca social? O que acontecerá com as pessoas que quiserem comunicar-se em profundidade, de indivíduo a indivíduo, no silêncio e na permanência da palavra escrita, e que foram formadas pelo amor aos autores que escreviam quando o mundo editorial ainda supunha algum tipo de controle de qualidade e as reputações literárias não dependiam apenas da decibelagem autopromocional?”
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E, por fim, uma dica de coração: leia o André Lisboa, amigo, pai de família, jornalista competente (dos melhores de São Luís), futuro filósofo do espírito e escritor/poeta em fase de desabrochamento. Aqui ó: readthetext.net

Metendo o nariz onde fui chamado

Antes do texto em si, uma explicação:

Durante todo o ano de 2013, eu fiz alguns frilas como redator para uma agência do Rio, e grande parte dos textos que eu produzi foi destinado a um cliente que comercializa vinhos de padrão elevado. Na maioria das vezes, o que me foi pedido era bastante simples, nada que exigisse conhecimento prévio e específico do assunto – quem me conhece sabe que eu não entendo necas de vinho. Alguns dos textos eu gostei bastante de escrever, pois tinham um tom mais histórico, as pesquisas para a feitura destes poucos me foram prazerosas, até.

O fato é que, desde janeiro, até agora há pouco, quando escrevi o último texto do ano para o cliente, eu me vi cercado de termos como “taninos macios”, “cor rubi intensa”, “aroma com notas de especiarias”, “sabor frutado”, “bebida dos deuses”, “terroir”, etc etc etc. De taças à entrevistas com produtores e enólogos internacionais, eu realmente entrei de cabeça neste (pra mim) novo universo. Pelo feedback da agência, eu mandei bem (sei que não tive que reescrever muita coisa, ainda bem).

Isto explicado, vamos ao que interessa:

No último mês, um amigo, depois de uma conversa anterior e fortuita a respeito do tema, me emprestou (ou deu, ainda não decidi, rs) um dos livros do Matt Kramer – um dos três grandes críticos de vinhos nos Estado Unidos -, e, sem saber, despertou uma curiosidade boa no marmanjo aqui.

1

A versão brasileira da segunda edição de Os Sentidos do Vinho, lançada pela Conrad em 2007, é um belo de um ensaio sobre absolutamente tudo o que envolve o vinho. Adegas, criação, etapas de produção, comercialização, harmonização, conceitos como connoiseur, a relação da qualidade do vinho com diversas variáveis, como umidade, temperatura, transporte, tudo o que você possa imaginar sobre o assunto, o Kramer tratou direta ou indiretamente nesse livro, e sabe o que é melhor: sem nenhum pedantismo.

O cara consegue unir fatos históricos e científicos com conhecimentos de iniciados, sempre com irnonia, inteligência e linguagem clara, sem rodeios, a respeito do significado da bebida, desde sua criação. As tiradas espirituosas (“Cheirar a rolha não nos ensina nada [sobre a qualidade de um vinho], assim como tampouco podemos depreender algo sobre a qualidade de um sapato cheirando uma meia”) como representação de uma vontade, às vezes bem explícita, de desmitificação desse mundo que, para quem vê de fora, é bastante esnobe e antipático, tornam o livro ainda mais interessante. E como bônus, ele é bem escrito demais.

O crítico americano, como ele explica logo no começo do livro, entrou nessa de vinhos por acaso, sem nenhuma pretensão. Ele escrevia numa coluna de gastronomia num jornal do seu estado, e, devido a um direcionamento comercial estratégico visando os empreendimentos vinícolas da região, assumiu, por proximidade de assunto (comida, bebida), o departamento que cuidaria da ‘divulgação’ das bebidas nas páginas do diário, ou seja, só passou a escrever sobre vinhos por causa das obrigações do trabalho. Mas, uma vez dentro, ele se dedicou, leu tudo, gastou muito para conhecer de fato os vinhos, aprendeu a diferenciá-los pela qualidade, e, pam!, tornou-se um dos maiores na sua área, justamente quando houve um bum da produção e consumo de vinhos de alto padrão em países antes com pouca tradição na vitivinicultura, fins dos 80’s e 90’s todo.

Além de ter gostado muito do livro do Kramer, o que eu mais gostei foi saber sobre sua trajetória pessoal, que despertou em mim curiosidade e vontade sincera de conhecer muito mais desse mundo que pude entrar em contato esse ano. Eu, que nunca fui fã de vinho, me propus um desafio, assim como se propôs o Matt lá na década de 70: deixar o preconceito de lado e ultrapassar as barreiras da superficialidade a respeito do tema.

Mas ó, prometo que não vou me tornar o babacão chato que só tem um assunto na vida.

III

Eu me mudei. Agora vivendo com a minha garota. Nos acostumando, mas indo tudo em perfeita ordem. Estamos fazendo algumas modificações na casa, personalizando-a. Quando tiver tudo pronto, coloco uma fotinhas aqui.

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O Buddy Valastro e o Anthony Bourdain, meus ídolos máximos hoje em dia, criaram um monstro sem saber. É que eu tomei as rédeas da cozinha na casa nova (eu já cozinhava com frequência na casa de mamãe, si si); experimentando e acertando quase tudo, tenho feito algumas receitas do Buddy – mais voltado pra cozinha italiana – e sou completamente louco pelo jeito que o Bourdain encara e trata comida, etc, um gênio da raça! Minhas próximas aquisições serão livros dos dois.

Tô pensando aqui em abrir uma seção de culinária por aqui, rs

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O Canal Bis, talvez o segundo melhor da TV fechada no Brasil – atrás da ESPN, claro -, tem uma série muito bem feita sobre discos, lojas, cultura musical, etc, vcs devem conhecer já: o Minha Loja de Discos. Tem um episódio com a Rough Trade bem massa, apesar de ter uma menina que trabalha lá dizendo que o disco mais vendido, desde quando ela entrou pro quadro de funcionários, é a estreia do The XX – banda que felizmente nunca escutei.

Aliás os meus comparsas lá no Rock’n’Beats estão fazendo algumas listas especiais para o aniversário de cinco anos do site, e esse disco tá lá, entre os cinco mais dos internacionais lançados nos últimos cinco anos. Não entendo, sério.

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Tá na área a Twelve Street, projeto  que o amigo Pedro Moura idealizou, gravou e lançou um disco bem fodinha ontem – 90’s, punk rock, hardcore, melodia, etc. E eu vou tocar baixo AE. dá pra ouvir e baixar aqui!

PS: Sem internet ainda na casa nova. Por isso nunca mais apareci aqui.

II

Assisti à filmografia do Wes Anderson em uma semana. 8 filmes com uma marca cinematográfica bem definida, e boas histórias contadas. Meu preferido foi Moonrise Kingdom (2012). … e eu não sabia que o Owen Wilson era co-roteirista do cara em alguns, bacana.

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Tem essa lista engraçadinha do Buzzfeed27 Problems Only Introverts Will Understand, me reconheci em todas as situações. Já fui mais introvertido, mas continuo uma pessoa quase antissocial.

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Tenho ouvido muito essa banda canadense, Eric’s Trip, que está ali entre o Shoegaze, o Lo Fi e o 90’s Alt Rock. Muita, mas muita distorção mesmo; e muita melodia também, impressionante. Dá pra baixar a discografia (tem tudo nesse torrent, demos, shows EP’s, singles, vídeos e álbuns) aqui e ver aqui o filme todo editado pela banda, com imagens antigas de shows deles.

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Tenho ouvido bastante também o Howdy!, sétimo disco de estúdio do Teenage Fanclub, lançado em 2000 – um clássico maior do pop mundial. Ouço essa aqui quase todo dia desde, sei lá, o mês passado, que letra incrível!, a melodia nem dá pra falar né, eles são reis; um mantra lindo no final, é ouvir essa música e tirar o peso do mundo das costas durante uns cinco minutos, sério, experimente! Nem dá pra falar muito sobre o álbum pois o Nick Hornby já disse tudo aqui.

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Falando no Hornby… não resisti e comprei a reedição do livro mais famoso do cara, recém lançada pela Companhia das Letras.

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Ah, também comprei essa jaguar. Liso, mas feliz.

Ainda no quesito literário…

… dois poemas de expressão. Minhas últimas tentativas. Antigos. Sobre a morte, pertinho. Só valem porque foram frutos de momentos de expressão. Mas por serem apenas frutos de momentos de expressão, não valem nem um tico a mais pra além disso.

Para o avô que tive e não tive

O adeus nos olhos dos amigos que cultivei durante toda vida
É que me aperta o peito
Nesta hora.
Desfolha-me a razão vê-los ali
Com a tristeza serena de quem não escolhe, aceita.

Eu
Do lado de mim
Recluso no olho fechado, pergunto-me
“Qual deles o próximo a morrer o mundo?”

Para Luís Carlos

O duro na morte
É o olhar sem rodeios que a realidade imprime
Na face em descanso.
Eu não vi o meu tio morto
Muito menos consigo imaginá-lo assim
(são escassas as lembranças).
Mas sei que a bala
Ao responder sangue em seu corpo
Concluíra no olho
Seu último motivo de dor.

A tal dor que não suporta o papel!

… e um dos poemas mais bonitos que já li, do amigo Fabio Sabino.

Homo Demens

Eu elogio a loucura
Amo a flor
Amo sim
Em todas suas coisas mesmas de flor
Amo seu doce
E seu arrastar consigo
Todas primaveras do mundo

Mas não me nego à carne
Sua fúria e espasmo e vertigem
Cada uma dessas coisas
Ditas no beijo, no cerne
Na fenda da pele

Se me nego a esses issos
Todos embuchados de séculos
E de tempos
Mortifico o pulsar
O latejo
O labirinto
Dou-me entregue a falência
Ao cansaço
Ao juízo dos homens sérios
E seu riso sério
E seus infernos
Todos eles muito sérios

E nisto tudo
Perco a ternura
O poema
O acaso
A fala

E na costura
Destes tudos
Perco aquilo que dava asas