IV

Antes do vinho (que ainda é apenas curiosidade), a comida (uma paixão, de fato) me pegou de jeito em 2013. Tanto que acho que o meu próximo “desafio” terá a ver com essas duas coisas. Tanto que tô pensando seriamente em fazer cursos de culinária (Sesc, Senac, sei lá o quê da vida) ou gastronomia (essas lojas de gente de nariz empinado da vida) aqui em São Luís. (Custa nada ver de qual é, rs). Tanto que pensei um tema a ser desenvolvido num projeto de mestrado que relaciona história e gastronomia, ou melhor, hábitos alimentares como símbolo de diferenciação social, valoração cultural e relações de poder, essas porras todas de historiador. Encontrei, inclusive, muitos trabalhos de doutorado, mestrado e artigos nesta linha de pesquisa neste site da UFPR. A coisa tá séria ó.

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Falando em mestrado, eu tô há uns dois anos enrolando nesse negócio. Tentei a sorte na primeira turma do mestrado em história da UFMA, tinha passado já em duas etapas, mas na hora da prova, para a qual estudei dois meses direto e tinha certeza que ficaria entre as 20 ou 15 vagas – não lembro -, cheguei atrasado e fodi tudo. Eu me senti absolutamente uma criança nesse dia. Porra, atrasar!!! Tamanho macho desse. Mas aí aproveitei o gancho e fiz uma especialização em História Cultural lá na UEMA – literatura e política, Bandeira Tribuzi, meu tema -, que durou 2 anos, de 2011 a 2012.

Desde então não tentei mais na UFMA; mas aí agora a UEMA abriu edital para a primeira turma deles. Pela experiência com os dois departamentos, prefiro mil vezes o da estadual. Mais organizado e o ensino é melhor. Tenho um projeto pronto, nada a ver com o que estudei na especialização, é sobre o Atlântico Negro, comércio direto de escravos entre Maranhão e reinos africanos, etc. Tá pronto, e eu sei que dá liga. Mas aí fiquei com essa dúvida cruel: me inscrevo com esse projeto ou espero mais um ano e desenvolvo melhor o lance lá da história dos hábitos alimentares no Maranhão? Que seria bem massa, pois, pelo que eu saiba, não tem ninguém pesquisando nada parecido aqui. Isso é bom (ineditismo do estudo) e ruim (pesquisa maior pois sem muitas referências) ao mesmo tempo. Tenho que decidir rápido (as inscrições terminam no final de janeiro), mas também tenho que me demorar um tanto mais sobre esta dúvida.

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Falando em África e escravidão, tô lendo o livro de um negro que nasceu livre nos Estados Unidos dos oitocentos, mas que por causa de uma reviravolta criminosa foi raptado e vendido como escravo no sul do país (pelo que tenho estudado, uma prática comum na América no começo do século XIX), e lá permaneceu por 12 anos até reencontrar a liberdade e sua família. A história, real, é bem maior e com muito mais tramas do que esse breve resumo. O livro, Twelve Years a Slave, foi escrito, editado e publicado em 1853 e virou best seller, tendo uma segunda edição em 1869; é baseado no relato de Solomon Nothup sobre esses doze terríveis anos de sua história, e ganhou vida nas mãos de David Wilson, um escritor local. Virou filme agora em 2013, cotado até para as principais categorias do Oscar. Ainda não o vi, mas quero muito.

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Falando em leitura, vale muito ler este artigo do Jonathan Franzen, publicado na Piauí n°86, que versa sobre todas as nossas superficialidades neste mundo comandado pela “máquina infernal” chamada internet; analisa a maneira falha com que nos comunicamos nos dias atuais, desde lá de cima, com o desmantelamento quase total da grande mídia, até o mundinho raso e mesquinho das redes sociais; e ainda reflete sobre a atuação do escritor nesse fuzuê todo através de um paralelo entre sua vida e atividade literária com a do seu guru austríaco, Karl Kraus, crítico feroz e venerado que exerceu grande influência na intelectualidade europeia na virada do século XIX para o XX. Um trecho:

 “Mas qual o destino de quem se torna escritor justamente porque a fofoca, a tuitagem e a cascata lhe parecem formas intoleravelmente superficiais de troca social? O que acontecerá com as pessoas que quiserem comunicar-se em profundidade, de indivíduo a indivíduo, no silêncio e na permanência da palavra escrita, e que foram formadas pelo amor aos autores que escreviam quando o mundo editorial ainda supunha algum tipo de controle de qualidade e as reputações literárias não dependiam apenas da decibelagem autopromocional?”
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E, por fim, uma dica de coração: leia o André Lisboa, amigo, pai de família, jornalista competente (dos melhores de São Luís), futuro filósofo do espírito e escritor/poeta em fase de desabrochamento. Aqui ó: readthetext.net

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Sobre Paulo Henrique Moraes

sempre entre a palavra e a música.

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