Viagens, shows e alguma diversão – parte 1

Vamos lá. Depois de algum tempo fora, vou tentar fazer um resumão, em três partes, do que aconteceu de interessante pras bandas de cá nos últimos dois meses: shows fantásticos – feitos e vistos, pré-carnaval por vezes ensolarado por vezes chuvoso no Rio de Janeiro, cansaço prazeroso em São Paulo, boas lembranças e algumas dívidas.

Em fevereiro, no comecinho, lá perto do carnaval, acompanhado da minha inseparável senhorita Raquel, fui ao Rio (pela segunda vez) a pretexto de ir ver o show dos nova-iorquinos do Grizzly Bear, banda que, da metade do ano passado até agora, tem dominado as minhas audições diárias de música pop.

Domingo, praia, sol e amor

Domingo, praia, sol e amor

Antes de tudo, preciso dizer: o Rio de Janeiro é onde eu gostaria de morar se me fosse possível, em algum momento da vida, escolher. Tem essa coisa, eu não aguento viver em São Luís por diversos motivos, mais um dos motivos que me faz gostar daqui certamente é o fato da cidade ser praiana. Conversando com um amigo de Teresina, o Vítor, vocalista e excelente guitarrista da banda de blues BR-316 (que inclusive fez um show divertidíssimo aqui na ilha no começo de março, já chego lá, não atropelemos os bois), percebi o quanto me identifico com esse aspecto litorâneo de São Luís, o quanto o lugar, ou melhor, o quanto esse aspecto específico do lugar, meio que incorporou-se ao meu DNA, o quanto (e eu tenho certeza disso) eu não conseguiria viver sem praia por perto. Não que eu seja um rato de praia, daqueles que todo fim de semana tem que ir lá tomar uma água de coco ou beber uma cerva. Não, eu não sou desses. Mas eu gosto do fato dela estar ali perto, com toda a grandeza do mar e o vento batendo forte na cara. E o que melhor define o Rio do que a praia?! Dá pra ver no rosto das pessoas logo na descida do avião. Enfim, foram cinco dias bem bons.

Memorabilia no Museu Histórico Nacional

Memorabilia no Museu Histórico Nacional

Ficamos hospedados num hostel em Botafogo, um bairro gente fina. Como era pré-carnaval e chegamos no domingo, com um solzão bonito na testa, tinha muitos blocos e bandinhas pela cidade toda. Fomos pra rua. Foi divertido. Durante a estadia, comemos muito bem num boteco em botafogo mesmo, no Pontes. Aliás, o Rio de Janeiro é a cidade dos botecos, bem massa isso. Por todo lugar tem um boteco legal pra quem gosta de comida boa e cerva. Comemos algumas vezes também no Gourmet 686 em Copacabana, uma mistura de restaurante e lanchonete que nos satisfez quando a grana encurtou. O roteiro turístico foi aquilo lá: corcovado, praias, centro, museus, jardim botânico e o que mais deu pra fazer em pouco tempo. Fomos pra rua, e só saíamos dela quando a chuva apertava, e, por incrível que pareça, ela apertou umas duas vezes. No fim, deu pra fazer o que planejamos.

Daí veio o show, na Lapa, no Circo Voador. A banda do Brooklyn foi ao Rio através do Queremos, plataforma de crowdfunding que já levou alguns bons shows à cidade. O Circo tinha lá suas 900 cabeças à espera da banda que meses antes tinha lançado sua obra prima, Shields, o quarto álbum da discografia dos moços.

Foi um showzaço. É preciso dizer que a apresentação da banda só foi começar de fato quando o show estava se encaminhando para sua metade. Antes disso, a banda parecia estar se aquecendo e o público meio que tentando se desarmar da expectativa de vê-los ao vivo. Expectativa sempre fode tudo. Mas como a banda é afiada, talentosa, com um senso de composição e arranjo acima da média, logo a coisa se tornou uma lindeza só. A conexão público – banda se fez, os cinco se sentiram mais à vontade ali no palco, arriscando inclusive umas brincadeiras encabeçada pelo vocalista Ed Droste. O set list foi baseado nos dois últimos álbuns da banda, Veckatimest (2009) e Shields (2012).

O que mais me impressionou, dentre tantas coisas impressionantes no show – como a atuação do Chris Taylor, baixista e produtor da banda, se desdobrando em uma infinidade de instrumentos e efeitos que dão a carga emocional e preenchem os lindos arranjos das canções do Grizzly Bear; como a linda sincronização das vozes dos líderes da banda Ed DrosteDaniel Rossen; a perfeição da base instrumental dos caras, etc -, o que mais me impressionou mesmo foi o Christopher Bear, baterista que faz dos descaminhos uma maneira certa de se introduzir na canção, arranjos de uma simplicidade e estranheza que espantam, principalmente ao vivo, quando as mãos certeiras dele tornam tudo mais vivo e potente. Grande acerto meu ter ido a esse show.

Não estava programada, tive que resolver tudo em cima da hora, mas essa viagem foi demais. Na parte 2 conto como foi lá em SP.

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Sobre Paulo Henrique Moraes

sempre entre a palavra e a música.

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